sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Esforços de conservação retiraram a espécie da lista de animais em risco. Enquanto isso, gorilas podem desaparecer

O panda gigante, símbolo de campanhas ambientais em todo o mundo, saiu da lista de animais ameaçados de extinção. De acordo com relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), divulgado no domingo, a espécie não é mais classificada como “ameaçada” e se tornou “vulnerável”. Mais que um preciosismo semântico, a mudança de categoria reflete o aumento real da população de pandas gigantes na natureza: atualmente há 1.864 animais vivendo nas florestas da China, “um sinal positivo confirmando que os esforços do governo chinês para conservar a espécie são eficazes”, afirma o relatório. Os pandas ainda são poucos, mas em 2004 o número era de 1.596 e estava diminuindo.
O total de pandas – que pode chegar a 2.060 se foram considerados os filhotes – cresceu devido a medidas como a expansão das reservas; proteção intensiva do habitat, com reflorestamento e proibição da exploração madeireiras; e a criação de “faixas” isoladas onde os animais poderiam se reproduzir e se fortalecer. A proibição da caça e a retirada de comunidades e vilas das reservas também contribuiu para a preservação da espécie.
“A reclassificação reconhece décadas de esforços de conservação bem sucedidas e demonstra que o investimento na preservação de espécies icônicas como os pandas gigantes dá retorno – e beneficia não só as espécies, mas também nossa sociedade”, afirmou Lo Sze Ping, chefe executiva do escritório chinês da World Wildlife Fund (WWF), ONG internacional de proteção animal, ao jornal britânico The Guardian.
A nova classificação, contudo, não significa que os pandas gigantes estão livres de riscos – segundo a IUCN, a categoria demonstra que a população dos animais é “estável ou está crescendo”.

Gorilas em extinção

O mesmo relatório afirma que o gorila-do-oriente está “criticamente em perigo” de extinção. Isso significa que o animal, que vive nas florestas da África Oriental, está a um passo de sumir da natureza. Nas duas últimas décadas, o número de animais diminuiu em 70%, principalmente devido à caça ilegal.
Outras espécies de primatas, como o gorila-do-ocidente, o orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão “ameaçados” de extinção. Chimpanzés e bonobos estão “em perigo”. Além da caça, a diminuição do habitat dos animais contribui para a redução das populações.
“Se conseguirmos proteger nossas florestas e fazer com que a população local e indígena se beneficie disso, continuaremos a dividir o planeta com os grandes macacos. Se não, acabou. Há algumas relíquias que restam, mas ecologicamente falando, os grandes macacos desaparecerão”, afirmou M. Sanjanyan, vice-presidente da ONG Conservation Internacional, ao The Guardian.

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